Na noite de 13 de janeiro de 2025, Picos viveu uma das maiores tragédias provocadas por eventos climáticos extremos de sua história recente. Um forte temporal atingiu a cidade, provocando alagamentos, destruição de imóveis e deixando duas pessoas mortas. Um ano depois, as marcas físicas diminuíram em alguns pontos, mas a memória da enxurrada permanece viva para muitas famílias.
Entre as vítimas está o gerente da Caixa Econômica Federal, Marcondes Barros, levado pela correnteza no bairro Ipueiras, uma das áreas mais atingidas. Naquela noite, moradores relataram a rápida elevação do nível da água, que invadiu casas e arrastou objetos, veículos e estruturas inteiras. A tentativa de sair da residência acabou se transformando em tragédia quando a força da enxurrada rompeu muros e separou o casal.
A esposa de Marcondes sobreviveu após ser arrastada pela água e conseguir se segurar em uma estrutura até ser resgatada horas depois por um vizinho. O corpo de Marcondes foi localizado na madrugada do dia seguinte por equipes do 4º Grupamento de Bombeiros Militar de Picos. Segundo familiares, ele não sabia nadar.
Além da dor pessoal, o episódio escancarou a fragilidade de áreas urbanas sujeitas a alagamentos. Bairros como Ipueiras, Emaús e Canto da Várzea registraram ruas submersas, residências danificadas e famílias desabrigadas. O trabalho de resgate e assistência mobilizou o Corpo de Bombeiros, o Exército Brasileiro, por meio do 3º Batalhão de Engenharia de Construção, e a Prefeitura de Picos.





Passado um ano, o luto segue presente para familiares das vítimas e sobreviventes. O trauma associado à chuva, o medo diante de mudanças no tempo e a necessidade de acompanhamento psicológico fazem parte da rotina de quem viveu a tragédia de perto. Para muitos, a fé tem sido um dos principais pilares para seguir em frente.
Mais do que uma lembrança dolorosa, a enxurrada de janeiro de 2025 tornou-se um marco na memória urbana de Picos. Um episódio que reforça a necessidade de planejamento urbano, políticas de prevenção e atenção permanente às áreas vulneráveis, para que tragédias semelhantes não se repitam.





