A imagem de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, foi alvo de um novo ato de vandalismo no último domingo (1º). O monumento teve o vidro de proteção quebrado e sofreu danos estruturais em uma das mãos. Até o fechamento desta edição, os responsáveis pela depredação do patrimônio religioso e cultural não foram identificados.
Este é o segundo ataque registrado contra a estátua em menos de um ano. Inaugurada como o primeiro monumento da capital a representar uma Iemanjá negra, a obra já havia sido danificada em junho de 2024, pouco tempo após sua instalação. Na ocasião, apenas o vidro protetor foi atingido, sem avarias à escultura original.
Lideranças religiosas, como o Pai Rondinelli de Oxum, foram procuradas para comentar o episódio e informar sobre o registro de boletim de ocorrência, mas ainda não houve retorno. Em episódios anteriores, sacerdotes locais cobraram do poder público maior policiamento na região e pediram por mais tolerância religiosa por parte da sociedade.
Dia de Iemanjá: Tradição e Resistência
O ataque ocorre justamente no período em que se celebra o Dia da Rainha das Águas, comemorado oficialmente nesta segunda-feira (2). Considerada a padroeira dos pescadores e mãe das águas nas religiões de matriz africana, Iemanjá mobiliza devotos em todo o país.
A tradição, que completa cerca de um século, teve origem na Praia do Rio Vermelho, em Salvador, por volta de 1923. Desde então, a festividade integra o calendário cultural brasileiro, marcando a transição histórica de antigas celebrações coloniais para a afirmação da identidade religiosa afro-brasileira.
Mudança nas Oferendas
Atualmente, entidades como o Santuário Nacional da Umbanda orientam os fiéis sobre a sustentabilidade das celebrações. Para evitar danos ao ecossistema marinho e fluvial, as recomendações incluem:
- Substituição de barcos de isopor por materiais biodegradáveis.
- Oferta de rosas brancas.
- Descarte de perfumes e champanhes sem as embalagens de vidro ou plástico.
A segurança em torno do monumento em Teresina segue sendo um ponto de preocupação para as comunidades de terreiro, que veem na depredação um reflexo da intolerância contra seus símbolos sagrados.
Com informações do O Dia





