A historiadora e professora da UESPI, Ana Paula de Sousa Costa, está lançando uma obra que promete aprofundar o debate sobre acessibilidade e direitos fundamentais no Brasil. Fruto de sua pesquisa na graduação em Direito, o livro investiga as persistentes barreiras de comunicação que impedem o exercício pleno da cidadania pela comunidade surda, propondo uma ruptura com visões tradicionais e limitantes.

Mudança de Paradigma

Diferente da abordagem clínica comum, a obra de Ana Paula defende a adoção de uma perspectiva socioantropológica. O texto argumenta que a surdez não deve ser encarada como uma patologia a ser “curada”, mas sim como uma diferença cultural e linguística que enriquece a diversidade da sociedade.

A autora utiliza sua experiência como especialista em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para demonstrar que a identidade surda é pautada por uma língua própria e por características culturais específicas que precisam de respeito e espaço para florescer.

Inclusão Além das Cotas

O foco central do trabalho reside na análise do mercado de trabalho. A pesquisadora demonstra que a existência de leis de cotas, embora importante, não é suficiente para garantir a inclusão real. Segundo a obra:

  • A falta de uso massivo de Libras nas empresas isola o colaborador.
  • A ausência de intérpretes mantém o estigma e a marginalização do profissional surdo.
  • A inclusão efetiva depende de uma mudança na estrutura social e não apenas da adaptação do indivíduo.

Sobre a Autora

Residente em Picos, Ana Paula de Sousa Costa possui uma trajetória acadêmica multifacetada. É historiadora, bacharela em Direito e especialista em Direito Civil e Processual Civil. Atualmente, leciona como professora substituta no curso de Direito da UESPI de Picos e desenvolve sua pesquisa de mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Com este lançamento, a autora reforça que a verdadeira inclusão ocorre quando a sociedade aprende a integrar e respeitar a beleza de todos os ritmos e línguas, garantindo que o trabalhador surdo deixe de ser um número em uma planilha para se tornar um cidadão plenamente integrado.