Por Amilton Macário/estagiário
Uma mudança histórica nas relações de trabalho no Brasil ganha força tanto na opinião pública quanto no cenário político. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (5) pelo instituto Real Time Big Data aponta que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com apenas um de descanso, e defendem a adoção da jornada 5×2, com dois dias de folga semanal. Outros 23% se posicionaram contra a proposta, enquanto 6% não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento reforça a pressão popular em um momento decisivo para o tema, que avança simultaneamente no Executivo e no Legislativo. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou sua entrada no debate com o envio do Projeto de Lei 1.838/2026 ao Congresso Nacional, acompanhado de pedido de urgência constitucional.
A proposta prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além de garantir dois dias obrigatórios de descanso. Com o regime de urgência, a Câmara dos Deputados terá até 45 dias para analisar o texto antes que ele passe a bloquear outras votações na Casa, mecanismo que costuma acelerar a tramitação de matérias consideradas prioritárias.
Paralelamente, a Câmara instalou uma comissão especial para discutir o mérito da mudança. O colegiado é presidido pelo deputado Alencar Santana e tem como relator Leo Prates. A missão do grupo é unificar diferentes propostas em análise, incluindo a Proposta de Emenda à Constituição apresentada por Erika Hilton e o projeto encaminhado pelo governo.
Nos bastidores, a expectativa é de que o tema avance rapidamente. O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que o plenário pode votar a matéria ainda em maio de 2026, o que colocaria o Brasil diante de uma das mais relevantes reformas trabalhistas das últimas décadas.
Como parte da estratégia para ampliar o apoio à proposta, o governo lançou a campanha nacional “Tempo é um direito”, veiculada em diversos meios de comunicação. À frente da articulação política, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, tem defendido a implementação imediata da nova jornada, sem transições graduais.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve não apenas questões econômicas, mas também qualidade de vida, produtividade e saúde mental dos trabalhadores. Com ampla aprovação popular e o tema avançando no Congresso, o país acompanha de perto os próximos capítulos de um debate que pode redefinir a rotina de milhões de brasileiros.