A literatura piauiense ganha uma nova e potente voz com o lançamento de “Nada Exemplar” (Editora A Arte Da Palavra, 2026), obra de estreia da escritora Angella Saturnino. Natural de Itainópolis e atualmente acadêmica do curso de Letras – Português na Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Picos, a autora de 23 anos utiliza a escrita para dar corpo às “verdades inauditas” e às cruezas da existência.

A trajetória literária de Angella começou cedo. Ainda na adolescência, em meio às aulas do ensino médio, ela já preenchia cadernos com poemas. No entanto, foi entre 2021 e 2022 que o projeto do livro tomou forma, coincidindo com um período fundamental de sua vida pessoal: o seu processo de transição de gênero.

Entre o real e o imaginado

Publicado em 2026, Nada Exemplar é definido pela autora como um constructo de vozes que borram as fronteiras entre a autobiografia, a ficção e a realidade. Através de poemas e crônicas, o livro apresenta um fluxo de pensamentos que a própria Angella descreve como “desajeitados, confusos e verdadeiros”.

“Enquanto autora, não me prendo aos modelos e nem almejo ser um exemplo, mas busco difundir minha arte de forma genuína”, afirma a escritora, justificando o título da obra.

Escrita como território de resistência

O ingresso na UFPI em 2023 foi um divisor de águas para a maturação técnica da autora. No ambiente universitário, o contato com a teoria literária permitiu que ela aprofundasse seu estilo sem perder a essência visceral que marca sua produção.

Mais do que um lançamento editorial, o trabalho de Angella carrega um objetivo político e cultural: a construção de um espaço, até então inexistente na literatura do estado, onde a poesia e a travestilidade se encontram. Para a autora, consolidar seus versos em livros é uma forma de materializar o “inimaginável” e desafiar as ausências históricas nas letras piauienses.