Após o reajuste no preço do litro da gasolina comum nos postos de combustíveis do Piauí, o presidente do Sindicato dos Postos Revendedores de Combustíveis do Estado, Guilherme Parente, atribuiu o aumento ao clima de tensão entre os Estados Unidos e o Irã. Segundo ele, nos últimos sete dias, o valor do barril de petróleo subiu quase 50%.
“A gente está com dificuldade em comprar combustível, fruto dessa diferença grande entre a Petrobras e importação. Era um cenário que poderia acontecer e se continuar o conflito, pode ter certeza que o preço vai aumentar muito ou vai faltar combustível na praça. Mas eu acredito que essa guerra tem hora para acabar, então vamos torcer para que isso cesse da maneira mais rápida possível para o consumidor não sair perdendo. É um evento pontual, atípico, mundial. A tendência é que esse cenário normalize após tudo isso passar”, explicou.
Guilherme Parente afirmou ainda que o aumento está relacionado, sobretudo, ao conflito na região do Golfo Pérsico, responsável por cerca de 20% a 30% da produção mundial de petróleo. Além disso, segundo ele, o Brasil ainda não é autossuficiente em refino e distribuição de combustíveis, o que faz com que parte significativa do produto consumido no país seja importada.
De acordo com o presidente do sindicato, outro fator que pesa para o Piauí é a ausência de um porto marítimo no estado, o que torna a região dependente da estrutura logística do Maranhão.
“E principalmente a gente aqui em Teresina, que conta com um terminal de petróleo que não é marítimo, ele está no centro do estado e depende diretamente do porto de Itaqui, em São Luís, onde operam traders, importadoras, distribuidoras que trabalham com importado. E importado é commodity O importado é referência de commodity”.
Ele também comentou que a dinâmica de importação influencia diretamente os preços praticados no mercado local. “Não adianta nada a Petrobrás falar que não repassou, que não aumentou, pois ela só atende 60% do mercado nacional. Se 40% é importado, todo mundo que está importando já está importando com o valor do brent (referência para precificação do petróleo global) alto, com o valor do dólar alto. Então, essa praça trabalha muito com o preço de reposição de estoque. Então, cotou hoje, amanhã está mais caro, ele já repassa, porque senão ele não consegue repor o estoque dele. Que são volumes muito altos”, finalizou.





