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Pais de Janaína Bezerra participam de manifestação por justiça 3 anos após morte

Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

A morte da estudante Janaína Bezerra, estuprada e assassinada dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), completou três anos nesta quarta-feira (28). Para marcar a data, manter viva a memória de Janaína e cobrar justiça, militantes, amigos e familiares se reuniram em uma manifestação no Parque da Cidadania, no Centro de Teresina. Os pais da estudante sofrem com a perda da filha e a falta de desfecho para o crime.

Mesmo sob chuva, o ato foi mantido como forma de resistência e de denúncia contra o que os participantes classificam como morosidade e falhas no sistema de Justiça. Segundo os organizadores, o objetivo é impedir que o caso caia no esquecimento e reforçar a cobrança para que o crime seja reconhecido como feminicídio.

O crime, que causou comoção nacional, segue sem um desfecho judicial definitivo após a anulação do primeiro julgamento do réu, Thiago Mayson. Até o momento, não há data marcada para um novo júri popular.

A mãe de Janaína, Socorro da Silva, falou sobre a dor e a espera que se prolonga há três anos.

“É um sentimento de muita tristeza. A gente está esperando esse julgamento há três anos e não tem resposta. Só Deus mesmo para nos dar força, porque a Justiça ainda não cumpriu o papel dela”, desabafou.

Socorro relembrou o sonho da filha de se tornar jornalista e o esforço da família para mantê-la na universidade.

“Ela queria ser jornalista. A gente lutou muito para que ela estudasse, nunca deixamos faltar uma passagem de ônibus. Hoje fica a saudade e a dor de um sonho interrompido”, disse.

O pai da estudante, Adão Bezerra, também falou sobre o sofrimento da família e a ausência de uma definição judicial.

“Eu só quero justiça. Minha filha só vivia da universidade para casa. Esse sofrimento não tem fim enquanto esse caso não for resolvido. Eu estou com depressão, tem dia que não consigo nem trabalhar. A tristeza fica dentro de casa o tempo todo. A gente só quer justiça para poder ter um pouco de paz”, concluiu.

A estudante Rayssa Maria, que participou da mobilização, destacou o sentimento de revolta diante da falta de respostas.

“É um sentimento de revolta porque, desde o início, nem a universidade, nem a própria Justiça encararam o caso como feminicídio. A Janaína acaba sendo revitimizada, porque temos que sempre revisitar esse crime para que ele não seja esquecido”, afirmou.

Julgamento anulado e pena considerada insuficiente

Thiago Mayson chegou a ser condenado a 18 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado com emprego de meio cruel, estupro de vulnerável, vilipêndio de cadáver e fraude processual. No entanto, após recursos apresentados pelo Ministério Público do Piauí e pelos advogados que representam a família da vítima, a sentença foi anulada. À época, a acusação considerou a pena insuficiente diante da gravidade dos crimes.

Fonte: Cidade Verde